As figuras da angústia em El ángel exterminador (1962), de Luis Buñuel

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DOI:

https://doi.org/10.5294/pacla.2026.29.s3.1

Palavras-chave:

Análise textual, teoria do texto, El ángel exterminador, Luis Buñuel

Resumo

Este artigo analisa o El ángel exterminador (1962), de Luis Buñuel, como a materialização de um pesadelo. Argumenta-se que o essencial da arte não é sua função comunicativa, mas o tipo de experiência que ela gera e, nesse filme, a experiência central é a de uma angústia profunda, análoga àquela típica dos “sonhos de angústia” de Sigmund Freud. A metodologia adotada foi a análise textual baseada na teoria do texto. A angústia se manifesta por meio de uma dissociação constante entre o comportamento e a consciência dos personagens, e entre a linguagem e o ato. As repetições incessantes de ações e diálogos, descritas como organizadas em uma estrutura de “disco riscado” e diretamente associadas à absurda situação do confinamento, correspondem diretamente às vivências de paralisia e impotência características dos pesadelos. A cenografia é fundamental: o salão do confinamento está configurado como um palco teatral, com portas que, paradoxalmente, aprisionam. Figuras como as “ángelas” aladas e o tríptico dos armários (que escondem morte e excrementos) reforçam a ideia de um confinamento inexorável e uma regressão ao escatológico. O relógio com Cupido e Psique dá expressão à impossibilidade do ato amoroso, o segundo “ato impossível” do pesadelo. A casa é interpretada como a “mãe” da infância, associada a uma paradoxalmente vazia “cena primária” do ato sexual, o que gera frieza e repetição. Os quadros de mulheres que mudam de posição ou desaparecem dão forma àquela figura materna que nega afeto e sustento e que, por essa razão, aparece ao mesmo tempo como objeto de agressão. O confinamento final na igreja, presidido pela Virgem, confirma que a libertação é uma ilusão, repetindo o pesadelo da impossibilidade de agir.

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Publicado

2026-08-28

Como Citar

González Requena, J., & González Ortiz de Zárate, A. (2026). As figuras da angústia em El ángel exterminador (1962), de Luis Buñuel. Palabra Clave, 29(s3), e29s31. https://doi.org/10.5294/pacla.2026.29.s3.1