Tecnopolítica, comunicação e novos materialismos
DOI:
https://doi.org/10.5294/pacla.2026.29.s1.6Palavras-chave:
Novos materialismos, políticas de comunicação, cadeia de valor, geologia, meios de comunicaçãoResumo
A economia política da informação, da comunicação e da cultura (EPICC) tem se dedicado a elucidar e problematizar as formas pelas quais o sistema midiático participa do processo de acumulação capitalista e gera valor. Em seus primórdios, o foco esteve voltado para a análise dos sistemas e das estruturas dos meios de comunicação tradicionais e de suas regulamentações. Posteriormente, a partir da década de 1980, essa agenda foi ampliada para incorporar os processos de concentração e financeirização do setor e, na década de 1990, a discussão sobre a convergência infocomunicacional passou a ocupar lugar central. No século 21, a questão da digitalização midiática avança paralelamente às discussões sobre plataformização, capitalismo de vigilância e, mais recentemente, inteligência artificial (IA). A maior parte das análises sobre a cadeia de valor da qual participa o setor infocomunicacional, entretanto, continua circunscrita aos processos de produção, circulação e consumo de conteúdos e meios de comunicação, dedicando pouca atenção à etapa preliminar da produção, relacionada à extração de matérias-primas destinadas à fabricação de equipamentos, ou à etapa posterior, vinculada aos resíduos e à poluição gerados por essas atividades. Com a expansão e a generalização dos processos de digitalização em escala planetária, torna-se necessário formular novas questões no âmbito da EPICC e ampliar os arcabouços teóricos disponíveis nas políticas de comunicação e na tecnopolítica, diante da necessidade de construir chaves interpretativas e analíticas relacionadas à materialidade do digital e aos problemas que emergem em torno dessa nova ecologia da comunicação. Nesse sentido, as proposições dos novos materialismos constituem um corpus teórico que permite refletir sobre a ampliação da cadeia de valor da comunicação digital, no contexto de um diagnóstico que enfatiza a disputa pelos recursos naturais necessários à fabricação de diferentes dispositivos digitais, os processos de extrativismo e neocolonialismo e as escalas temporais profundas nas quais devem ser medidos os impactos dos resíduos eletrônicos, bem como a pegada de carbono por meio da qual esses processos afetam o sistema de reprodução ampliada.
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