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Meios de comunicação, aceleração, interculturalidade e crise das narrativas

Medios de comunicación, aceleración, interculturalidad y crisis de las narrativas

Media, Acceleration, Interculturality, and Crisis of Narratives




Patricio Dugnani 1

1 0000-0001-7877-4514. Universidade Presbiteriana Mackenzie, Brasil.
patricio.dugnani@mackenzie.br


Recebido: 03/11/2023
Submetido a pares: 07/12/2023
Aceito por pares: 16/04/2024
Aprovado: 22/05/2024


Para citar este artículo / to reference this article / para citar este artigo Dugnani, P. (2025). Meios de comunicação, aceleração, interculturalidade e crise das narrativas. Palabra Clave, 28(1), e2811. https://doi.org/10.5294/pacla.2025.28.1.1



Resumo

Na Modernidade tardia, o advento e uso dos meios de comunicação, principalmente os digitais, têm produzido a valorização das informações em detrimento das narrativas, que entram em crise. Essa crise das narrativas está relacionada à aceleração do ritmo de vida e à geração de novas tecnologias, as quais estariam desenvolvendo o desequilíbrio entre emissão e recepção. A partir de análise exploratória e teórica, busca-se compreender como o uso dos meios de comunicação, em vez de promover uma globalização equilibrada entre diferentes culturas, estaria produzindo um processo de falência das narrativas e, consequentemente, uma fragmentação social: a desglobalização. Pretende-se, a partir desta reflexão, sugerir a possibilidade, através de estratégias ligadas ao estudo da interculturalidade e do resgate das narrativas, de propor soluções para tentar reverter o processo.

Palavras-chave: Meios de comunicação; aceleração; narrativas; interculturalidade; crise.


Resumen

En la Modernidad tardía, el advenimiento y la utilización de los medios de comunicación, especialmente los digitales, han conducido a la valorización de la información en detrimento de las narrativas, que están en crisis. Esta crisis de las narrativas está relacionada con la aceleración del ritmo de vida y el desarrollo de las nuevas tecnologías, que están generando un desequilibrio entre la emisión y la recepción. A partir de un análisis exploratorio y teórico, se pretende comprender cómo el uso de los medios de comunicación, en lugar de promover una globalización equilibrada entre las diferentes culturas, está produciendo un proceso de fracaso de las narrativas y, en consecuencia, de fragmentación social: la desglobalización. El objetivo de esta reflexión es sugerir la posibilidad, a través de estrategias vinculadas al estudio de la interculturalidad y la recuperación de narrativas, de proponer soluciones para intentar revertir el proceso.

Palabras clave: Medios de comunicación; aceleración; narrativas; interculturalidad; crisis.


Abstract

In late Modernity, the advent and use of media, especially digital media, have resulted in the appreciation of information at the expense of narratives, which are in crisis. This crisis of narratives is related to an accelerated pace of life and the development of new technologies, creating an imbalance between sources and receivers. Through exploratory and theoretical analysis, we intend to understand how media usage, rather than fostering balanced globalization between cultures, produces a narrative failure and, consequently, a social fragmentation process: deglobalization. This reflection proposes solutions to try to reverse this process through strategies linked to the study of interculturality and the revitalization of narratives.

Keywords: Media; acceleration; narratives; interculturality; crisis.


Destaca-se, do filme de O mundo imaginário do Dr. Parnasus (2009), dirigido por Terry Gillian, um trecho muito peculiar, que, de certa forma, dialoga perfeitamente com a reflexão que acompanha este artigo: a questão da aceleração dos processos sociais, apresentada por Hartmut Rosa (2019; 2022), relacionados, principalmente, ao uso dos meios de comunicação (Dugnani, 2022; McLuhan, 2016; Baitello, 2015) e à crise das narrativas, descrita por Walter Benjamin (1987) e reforçada Byung-chul Han (2023). Além disso, esse trecho servirá de mote simbólico para pensar como essa crise das narrativas acaba por acentuar o processo de aculturação, o que dificulta o desenvolvimento de uma comunicação intercultural entre as diferentes etnias, as quais estão cada vez mais expostas a encontros entre culturas, devido à aceleração tecnológica do uso dos meios de comunicação digitais, ao desenvolvimento dos meios de transporte e aos movimentos migratórios que têm ocorrido com maior frequência, em razão do aumento da desigualdade e da divisão de renda injusta que assola o momento contemporâneo.

No trecho citado, o Dr. Parnasus, interpretado por Christopher Plummer, é apresentado como um monge, de uma ordem religiosa, que tinha como missão manter uma narrativa eterna, a qual, supostamente, manteria a ordem do universo, evitando o fim do mundo. Enquanto os monges cumpriam resignadamente sua missão, surge o Sr. Nick, uma figura picaresca, interpretada pelo cantor Tom Waits, que se propunha a entrevistar o Dr. Parnasus sobre a missão da ordem, utilizando uma espécie de gravador.

Enquanto a entrevista segue, num determinado momento, o Sr. Nick, de maneira irônica, questiona a veracidade de que a narrativa dos monges poderia ser responsável pela manutenção da ordem cósmica do mundo. Além desse questionamento, utilizando seu pretenso gravador, o Sr. Nick começa, aparentemente, a sugar a narrativa, calando a boca dos monges, até o momento em que ela é totalmente interrompida. Na transcrição a seguir, é possível ver como se desenrola o diálogo do trecho do filme.

(Sr. Nick) O que, exatamente, todos fazem aqui? (Dr. Parnasus) Nós contamos a história eterna. (Sr. Nick) E o que é isso exatamente?

(Dr. Parnasus) A história que sustenta o universo. A historia, sem a qual, nada existe.

(Sr. Nick) Nada? Então, se vocês pararem de contar a história, todo o universo deixa de existir?

(Dr. Parnasus) Você faz parecer tão simples.

(Sr. Nick) Acredita nisso?

(Dr. Parnasus) Nós somos ordenados para essa tarefa.

(Sr. Nick) É inacreditável pensar que vocês possam acreditar em algo que possa ser facilmente contestável.

(Dr. Parnasus) Eu não creio.

(Sr. Nick) Veremos.

(Sr. Nick, utilizando um instrumento, impede que a narração dos monges continue)

(Dr. Parnasus) Pare!

(Sr. Nick) Pronto, a história parou. Não há mais história. Mas ainda estamos aqui. O fogo ainda queima. Continua nevando, e o vento ainda sopra. Nada mudou. Vamos, anime-se, doutor. Eu livrei você de toda essa bobagem. Pode fazer outras coisas com seus poderes. Você pode... eu não sei... você pode se divertir. Pode aprender um idioma estrangeiro ou fazer um cruzeiro.

(Um pássaro defeca sobre o Sr. Nick, enquanto o Dr. Parnasus sorri)

(Sr. Nick) Maldição!

(Dr. Parnasus) Um sinal! Uma mensagem! Aquele pássaro era um mensageiro. Agora eu entendo tudo claramente. Isso não tem nada a ver conosco aqui. Em algum lugar no mundo, nesse momento, alguém está contando uma história. Uma história diferente, uma saga, um romance, um conto de morte inesperada. Não importa, está sustentando o universo, é por isso que ainda estamos aqui. Não se pode impedir que histórias sejam contadas.

O que chama a atenção nesse trecho, que se considera boa reflexão para as questões que se pretende debater neste artigo, é que, ainda mediante o temor e a surpresa, o Dr. Parnasus, ante o fim da narrativa, conclui, percebendo que o mundo não acabou: não eram somente os monges que mantinham a ordem do universo, mas todas as narrativas que são contadas diariamente. Diante dessa constatação, o Dr. Parnasus sai pelo mundo contando suas histórias.

Pelo filme, a sustentação da ordem mundial está garantida devido às diversas narrativas que compõem o ato de contar histórias, porém a sociedade tardo-moderna poderia repousar tranquilamente? Para Byung-Chul Han (2023), não. Para o autor, a sociedade da Modernidade tardia vive uma crise das narrativas, talvez uma continuidade da falência das narrativas, na Modernidade, antecipada por Walter Benjamin (1987).

Partindo dessa observação de Han (2023), sobre a crise das narrativas e sobre a mercantilização das histórias, promovida, principalmente, pelo advento da internet, dos meios de comunicação digitais e das redes sociais, este texto pretende refletir sobre como, na Modernidade tardia, concordando com Han (2023), a crise das narrativas estaria relacionada à aceleração do ritmo de vida, ao desenvolvimento de novas tecnologias, além do excesso de informação (ou, até mesmo, a desinformação). Esses fenômenos estariam, de maneira negativa, produzindo efeitos como a fragmentação da sociedade, a desglobalização, o desequilíbrio entre emissão e recepção, entre outros males.

Nesse contexto, este artigo se caracteriza metodologicamente como exploratório e teórico, tomando como base a reflexão de diferentes autores que analisam o momento contemporâneo, denominado agora "Modernidade tardia". A reflexão busca, no cruzamento das análises desses autores, um ponto de convergência que possibilite revelar o processo de como os meios de comunicação, e seu uso, estariam fragilizando o imaginário humano, no sentido da falência das narrativas. Pretende-se verificar se seria possível, através de estratégias ligadas ao estudo da interculturalidade (comunicação intercultural) e do resgate das narrativas, principalmente da cultura popular espontânea, propor soluções para tentar reverter esse processo.

Para essa reflexão, o artigo se divide em três debates principais, descritos a seguir, os quais procuram entender a crise das narrativas com relação ao uso dos meios de comunicação.

1.   Informação, aceleração, meios de comunicação e narrativa. Nesse momento, pretende-se observar a Modernidade tardia como fenômeno da aceleração da vida humana e como esse processo atinge tanto o uso dos meios de comunicação quanto as narrativas.

2.   Meios de comunicação, sociedade da emissão e fim das narrativas. No segundo debate, destaca-se o efeito do uso dos meios de comunicação, principalmente os digitais, e como eles afetam a produção das narrativas quando privilegiam a emissão em detrimento da recepção.

3.   Interculturalidade como resgate das narrativas. A terceira parte da reflexão deixa como sugestão que estratégias de comunicação intercultural, como o resgate das culturas populares espontâneas, poderiam ajudar a solucionar a crise das narrativas.

Para desenvolver essa reflexão, como dito anteriormente, a questão da crise das narrativas será baseada no livro homónimo de Han (2023), além de autores como Paul Ricouer (1994) e José D'Assunção Barros (2011), para analisar a questão da narrativa na sociedade tardo-moderna.

A questão do desequilíbrio entre emissão e recepção, em que os meios de comunicação digitais, ao possibilitarem ao indivíduo alcance global e aumento no potencial de emissão, não estariam criando um superemissor, ao mesmo tempo um sujeito ensimesmado, fechado em si mesmo (Dugnani, 2020)? Essa criação do superemissor e o ensimesmamento do sujeito estariam fazendo com que o usuário dos meios de comunicação, principalmente os digitais, deixem para segundo plano a recepção, a habilidade de escutar, deslumbrando-se com seu poder de emissão e fechando-se no próprio discurso ou de sua bolha informacional, limitados pelos algoritmos usados na internet e nas redes sociais.

A reflexão acima, somada à questão da fragmentação social (desglobalização), ao ensimesmamento do indivíduo (um tipo de individualismo contemporâneo) e à valorização da emissão em detrimento da recepção (criação do super emissor), é feita com base na crítica feita por P. Dugnani (2018; 2020; 2022) e Norval Baitello (2015). Para a melhor observação desse fenômeno, a sua análise estará ligada a questões típicas da Modernidade tardia, como a saturação da informação, o embotamento dos sentidos, a aceleração do ritmo de vida e do desenvolvimento das novas tecnologias e suas consequências. Para complementar esse debate, as questões de aceleração, embotamento dos sentidos e saturação da informação serão baseadas nos estudos de Hartmut Rosa (2019; 2022), Olgária Matos (2008), David Harvey (1996) e Nicolau Sevcenko (2001).

Finalizando esse referencial teórico, dos autores que alicerçam o debate deste artigo, para refletir sobre o potencial das estratégias ligadas à comunicação intercultural, buscando soluções para reverter os processos de individualismo (pela valorização da emissão e pelo ensimesmamento do sujeito na Modernidade tardia), de fragmentação social, desglobalização e aculturação, serão utilizadas pesquisadoras ligadas aos estudos interculturais, como Maria Aparecida Ferrari (2015), Lisette Weissman (2018), Natália Ramos (2013), Margarida M. Krohling Kunsch (2017), Rosa Cabecinhas (2008) e Anna Zlobina e Dario Páez (2008).

Este estudo está relacionado à linha de pesquisa "Comunicação globalizada e interculturalidade: formatos e práticas contemporâneas nas organizações", do Grupo de Pesquisa Linguagens e Narrativas Interculturais, inscrito no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e ligado Mestrado Profissional em Comunicação Intercultural nas Organizações (MPCOM) do Centro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Brasil.

Informação, aceleração, meios de comunicação e narrativa

Para McLuhan (2016), os meios de comunicação, mais do que meros transmissores de mensagem, são extensões do humano. Compreende-se os meios de comunicação como extensões da percepção e, mesmo, do sistema nervoso, ou seja, para o autor, os meios ampliam a capacidade humana de acessar as informações e captar os fenômenos para além dos limites orgânicos do corpo, para além dos seus sentidos. O meio, propriamente dito, é informação pura, ou seja, mais do que tecnologia, é fenômeno que produz transformações na sociedade, assim como as informações que transmite, pois a introdução e o uso de novos meios de comunicação, produzem transformações em diversos aspectos da sociedade, desde alterações na escrita, nas relações pessoais, na arquitetura, entre outras.

Hoje, depois de mais de um século de tecnologia elétrica, projetamos nosso próprio sistema nervoso central num abraço global, abolindo tempo e espaço [...] Estamos nos aproximando rapidamente da fase final das extensões do homem: a simulação tecnológica da consciência, pela qual o processo criativo do conhecimento se estenderá coletiva e corporativamente a toda a sociedade humana, tal como já se fez com nossos sentidos e nossos nervos através dos diversos meios e veículos. (McLuhan, 2016, p. 16)

Como os meios de comunicação, concordando com McLuhan (2016), são agentes que produzem transformações sociais, pode-se acreditar que, com o advento dos meios digitais, a sociedade vem se transformando. No entanto, como transformação não é sinônimo de evolução, a crise das narrativas seria um sintoma desse processo, que está ocorrendo devido à aceleração na produção de informação (de maneira mais quantitativa do que qualitativa, haja vista) e ao consequente excesso de informações que vem com o processo. Não é a diversidade de informações que incomoda essa reflexão, mas sim, o excesso quantitativo e a repetição de informações que os meios digitais têm apresentado, reforçados, também, pelo uso de algoritmos. Isso devido a que os algoritmos se caracterizam por programas que direcionam e gerenciam as informações, mas que têm criado verdadeiras bolhas de informação, ao isolarem comunidades digitais inteiras, dentro dos assuntos ditos mais relevantes, mas que, na verdade, são os que dão maior audiência.

Esse excesso de informações repetidas, comum aos meios de comunicação de massa, mas que agora invadem o conteúdo dos meios digitais, tem apenas um objetivo mercadológico: gerar audiências, com relação aos meios de comunicação de massa, e gerar compartilhamentos, likes, curtidas ou manter a conexão em algum canal nos meios digitais. Ou seja, a massificação jáchegou aos meios digitais, criando verdadeira internetilização (Dugnani, 2024), ou seja, uma massificação, uma unifromização dos conteúdos transmitidos pelos meios digitais, principalmente pelo uso das redes sociais.

Com essa massificação dos conteúdos transmitidos, agora atingindo os meios digitais, para explorar mercadologicamente o ambiente virtual, a informação assume papel central para o consumo de conteúdos, que geram riquezas, principalmente para os donos das big techs. Enquanto a informação ganha mais espaço, a narrativa perde, pois, como será discutido abaixo, concordando com Walter Benjamin (1987) e Byung-chul Han (2023); a narrativa precisa de ouvintes atentos e não se entrega à interpretação imediata, muitas vezes, rasa. A narrativa resiste, oculta, cria labirintos e exige do receptor mais trabalho para sua interpretação, por isso ela não se encaixa tão bem no processo de consumo imediato impresso pelo ambiente digital, diferentemente da informação, que não joga com a leitura ou, como diria Barthes, não trapaceia com a linguagem (Barthes, 2006).

A informação, na Modernidade tardia, é um produto, no sentido mercadológico, melhor que a narrativa, para ser comercializado no ambiente digital, pois satisfaz melhor o apetite voraz do receptor dos meios de comunicação digitais, respondendo mais eficientemente ao processo de aceleração que essas novas tecnologias imprimem no ritmo de consumo de conteúdos.

O fim das narrativas no processo de aceleração, impresso pelos meios digitais, está intimamente relacionado ao excesso de informações fabricadas pelos meios de comunicação, de forma seriada, repetitiva e estandardizada, como afirmavam pensadores da Escola de Frankfurt, como Walter Benjamin (1987).

Para Olgária Matos (2008) e Hartmut Rosa (2019), a aceleração da produção de informação tem sobrecarregado a percepção e embotado os sentidos humanos; com isso, os usuários dos meios de comunicação, na Modernidade tardia, tornam-se cada vez mais consumidores de conteúdos em vez de leitores e criadores de narrativas.

Nesse processo, típico da Modernidade tardia, David Harvey (1996) e Hartmut Rosa (2019) destacam que um problema central desse fenômeno é a compressão produzida pela aceleração geral da vida. Rosa (2019) destaca três tipos de aceleração na Modernidade tardia, os quais produzem, também, três tipos de compressões:

1.   aceleração tecnológica que produz compressão da relação entre o espaço e tempo;

2.   aceleração das mudanças sociais que produz compressão do presente;

3.   aceleração das mudanças sociais que produz compressão das experiências.

Assim, o humano tardo-moderno, destacando as questões relacionadas à comunicação, na aceleração das mudanças sociais, tem a sensação de que a relação entre o tempo e o espaço estão cada vez mais comprimida, ou seja, que o tempo para realizar as atividades parece cada vez menor, perante o volume de informações e ações que são colocadas como prementes pelos meios de comunicação digital e seu excesso de informações. Além disso, a aceleração do ritmo de vida provoca embotamento das vivências e dos sentidos, o que cria tempo sem experiência, concordando com Matos (2008).

Ou seja, esse humano tardo-moderno se mantém, ao mesmo tempo, ansioso e soterrado por informações que sempre parecem urgentes, mas que acabam, na verdade, rodeando sempre os mesmos fatos, disfarçados tautologicamente como novidades. A insegurança toma conta desse sujeito, pois a aparente transformação, cada vez mais rápida da sociedade, cria sensação de que as certezas de outrora foram substituídas pelas incertezas do presente. O que leva o indivíduo da Modernidade tardia a uma sensação de que o presente se torna cada vez mais imediato.

Essa imediatez se projeta para um futuro de incertezas, o que faz com que o sujeito tardo-moderno se volte, nostalgicamente, para um passado, muitas vezes, que sequer viveu, abrindo caminho para o retorno de narrativas de certezas, que pareciam enterradas pela história (Bauman, 2017; Dugnani, 2020; 2022). Nesse sentido, um problema da crise das narrativas, concordando com Han (2023), para além da soberania do espaço da informação, é o resgate de "narrativas populistas, nacionalistas, extremistas de direita ou tribais, inclusive as narrativas conspiratórias" (pp. 8, 9). Assunto que precisa ser discutido em um outro momento, mas que vale destacar.

A narração é uma forma de desfecho. Ela constrói uma ordem fechada que cria significado e identidade. Na modernidade tardia, que se caracteriza pela abertura e pela dissolução de fronteiras, as formas de conclusão e de encerramento vão sendo cada vez mais demolidas. Ao mesmo tempo, em face da crescente permissividade, a necessidade de formas narrativas de desfecho está aumentando. As narrativas populistas, nacionalistas, extremistas de direita ou tribais, inclusive as narrativas conspiratórias, atendem a essa necessidade. Elas são aceitas como propostas de sentido e identidade. (Han, 2023, pp. 8, 9 )

Finalmente, com seus sentidos e vivências embotados, surge um tempo sem experiências (Matos, 2008), um tempo apenas para o consumo de conteúdos, não para reflexão nem para a contemplação, um tempo propício para a informação, não para a narração.

Surge um tempo de humanos ensimesmados, centrados na vontade de serem emissores (Dugnani, 2020), em vez de serem ouvintes/receptores: uma sociedade centrada na emissão, como será discutido a seguir. Uma sociedade que consome informação, mas que não tem tempo nem, tampouco, espaço para sentir ou contemplar as experiências. Um tempo sem experiências (Matos, 2008). Um tempo sem lugar para as narrativas.

Meios de comunicação, sociedade da emissão e fim das narrativas

Com o advento dos meios digitais, houve mudança na relação entre a figura do emissor e do receptor, quando comparada aos meios de comunicação de massa. Essa mudança se dá pelo fato de os meios digitais liberarem os indivíduos das grandes emissoras, ou seja, com os meios digitais, o indivíduo tem o potencial de transmitir suas mensagens numa dimensão global, independentemente das grandes emissoras dos meios de comunicação de massa. Se, por um lado, isso poderia levar o humano da Modernidade tardia a um processo de autonomia e esclarecimento, como preconizava Pierre Levy (2010), por outro, e infelizmente, acabou dando tanto poder de emissão  para os indivíduos, que eles deixaram de querer se manter como os receptores mais passivos dos meios de comunicação de massa passando a se considerar superemissores (Dugnani, 2022). Os superemissores são aqueles que apenas desejam organizar mensagens para a transmissão de informações pelos meios digitais, mas não querem mais se posicionar como receptores. De forma mais simbólica, com o advento dos meios digitais, todos querem falar, mas ninguém quer escutar, essa é a crise que Han (2023) identifica quanto ao desenvolvimento das narrativas na Modernidade tardia.

Em outras palavras, devido à mudança do potencial de transmissão que os meios digitais trazem para o indivíduo, surge uma sociedade focada na emissão. Uma sociedade individualista, ou seja, focada em si mesma, ensimesmada (Dugnani, 2020), em que esse usuário dos meios de comunicação se considera um superemissor: aquele indivíduo que não mais quer ocupar a posição de receptor, mas quer, somente, transmitir suas informações. O superemissor deixa de escutar e apenas quer se posicionar como transmissor de conteúdos, sobrecarregando de informações os meios digitais, pincipalmente a internet e as redes sociais. Esse fenômeno, concordando com Han (2023), é um dos motivos para a crise das narrativas que assola a Modernidade tardia.

A crise narrativa da modernidade se deve ao fato de que o mundo está inundado de informações. O espírito da narração está sendo sufocado pela enxurrada de informações. Benjamin afirma: "se a arte da narrativa é hoje rara, a difusão da informação é decisivamente responsável por esse declínio". (Han, 2023, p. 15)

A crise das narrativas se dá, segundo Han (2023), pelo fato de que a narrativa estaria intimamente interligada ao ato de escutar; contudo, em uma sociedade da emissão, em que os indivíduos ensimesmados apenas querem transmitir suas informações, não sobra lugar para o receptor atento, para a "escuta cuidadosa", consequentemente, não sobra lugar para a narrativa. "Narrar e escutar atentamente histórias se condicionam mutuamente. Uma atenção especial é inerente à escuta cuidadosa" (Han, 2023, p. 16). Concordando com Walter Benjamin (1987), Han (2023) afirma que a comunidade narrativa se caracteriza por ouvintes atentos.

Com isso, desaparece o dom de ouvir, e desaparece a comunidade dos ouvintes. Contar histórias sempre foi a arte de contá-las de novo, e ela se perde quando as histórias não são mais conservadas. Ela se perde porque ninguém mais fia ou tece enquanto ouve a história. Quanto mais o ouvinte se esquece de si mesmo, mais profundamente se grava nele o que é ouvido. Quando o ritmo do trabalho se apodera dele, ele escuta as histórias de tal maneira que adquire espontaneamente o dom de narrá-las. Assim se teceu a rede em que está guardado o dom narrativo. E assim essa rede se desfaz hoje por todos os lados, depois de ter sido tecida, há milénios, em torno das mais antigas formas de trabalho manual. (Benjamin, 1987, p. 205)

Esse processo, para além da questão da constituição de uma sociedade da informação, estaria reforçando o surgimento de uma sociedade do fim da narrativa. Esse processo estaria sendo acelerado, na Modernidade tardia também pelo advento dos meios de comunicação digitais e pela decadência dos meios de comunicação de massa, como organizadores sociais.

A informação só tem valor no momento em que é nova. Ela só vive nesse momento, precisa entregar-se inteiramente a ele e sem perda de tempo tem que se explicar nele. Muito diferente é a narrativa. Ela não se entrega. Ela conserva suas forças e depois de muito tempo ainda é capaz de se desenvolver. (Benjamin, 1987, p. 204 )

Em uma sociedade da informação, concordando com Benjamin (1987), a narrativa entra em decadência. Afinal, enquanto a narrativa precisa de ouvintes e não se entrega, a informação é imediata e entrega-se instantaneamente. Com isso, desde a introdução dos meios elétricos, dos meios de comunicação de massa e dos meios digitais, a informação vem tomando lugar da narrativa.

A comunicação transformada em troca de informações faz desaparecer a narração de histórias. Também quase não há histórias sendo contadas nas plataformas sociais. Histórias conectam as pessoas umas com as outras, na medida em que fomentam a capacidade de empatia. Elas criam uma comunidade. A perda da empatia na era do smartphone é um sinal eloquente de que ele não é um meio de narração. Seu próprio dispositivo técnico dificulta a narração de histórias. O ato de digitar ou deslizar não é um gesto narrativo. O smartphone permite apenas uma troca acelerada de informações. Além disso, a narração pressupõe escuta e uma atenção profunda. A comunidade narrativa é uma comunidade de ouvintes atentos. Estamos, contudo, visivelmente perdendo a paciência para estar à escuta e a paciência para narrar. (Han, 2023, pp. 10, 11 )

Para Han (2023), uma sociedade onde a comunicação apenas serve à troca de informações estaria fadada a fazer desaparecer as narrativas, e esse fenómeno é que tem assolado a Modernidade tardia.

Interculturalidade como resgate das narrativas

Mas como reverter esse processo da crise das narrativas? Aqui, para este artigo, estratégias ligadas à comunicação intercultural poderiam ser eficientes para o resgate das narrativas.

Contudo, antes de desenvolver a questão da crise das narrativas e a questão da interculturalidade, torna-se necessário conceituar tanto a interculturalidade como a comunicação intercultural. Segundo Ferrari (2015), a comunicação intercultural está relacionada à interação entre culturas de diferentes etnias que se chocam, cada vez mais, devido ao uso de meios de comunicação com maior alcance global, ou seja, ao ato de trocas de informação, interação entre diferentes grupos humanos. A comunicação intercultural se caracteriza pela estratégia, enquanto a interculturalidade é a ação que já ocorre desde os primórdios da organização social humana, quando os diferentes grupos humanos se encontravam, se relacionavam e trocavam suas experiências. Assim, para a interculturalidade tornar-se eficiente, é necessário o desenvolvimento de estratégias de comunicação intercultural que possam aproximar as diferentes culturas de maneira equilibrada, e não centrada em uma etnia que acaba por subjugar outras.

Entendendo essas questões, para este artigo, uma interculturalidade eficiente passa por uma estratégia de comunicação intercultural que observa, como necessidade primeira, resgatar a cultura popular espontânea, sequestrada pelo discurso massificado dos meios de comunicação de massa e digitais.

Através do resgate dessas narrativas, também seria possível o resgate do humano, no sentido de respeito à coletividade. Para isso, o humano teria de deixar a imediatez das informações dos ecrãs virtuais para voltar à contemplação das fogueiras, relacionando a ideia da tribalização (aproximação de grupos humanos através do uso dos meios de comunicação) de McLuhan (2016), em que as comunidades, principalmente de tradição oral, contavam e recontavam suas narrativas, para a manutenção da existência da própria tribo, pois toda sua identidade não tinha registro material, mas apenas guardava na memória toda a sua existência cultural.

Contudo, diferentemente do que pensava McLuhan (2016) com sua aproximação das culturas através de uma grande e universal "aldeia global", propiciada pela revolução tecnológica dos meios, a sociedade tardo-moderna tem vivido um recrudescimento da fragmentação social, concordando com Norval Baitello (2015), sobretudo a partir da introdução dos meios digitais.

Ou seja, se não houver mudança no modo de utilizar os meios de comunicação, principalmente os meios digitais, a tão sonhada "aldeia global", a reunião mundial de comunidades por interesses comuns, de McLuhan (2016), ou mesmo um processo equilibrado de globalização, como debatia Milton Santos (2001), seria apenas mais uma utopia, mais uma promessa iluminista não cumprida.

Assim, acredita-se que o resgate das narrativas das culturas populares espontâneas poderia ser estratégia eficiente para tentar reverter a crise das narrativas e, mais que isso, o resgate do sentido de comunidade e identidade do humano tardo-moderno. Com essa estratégia intercultural, seria possível criar relações interculturais mais galgadas na diversidade, em vez de reforçar os processos de aculturação, que não são apenas decorrências da migração de comunidades, mas que ocorrem diariamente através do uso dos meios de comunicação.

Como se comenta sobre sequestros e resgates das culturas populares espontâneas, torna-se fundamental identificar esse conceito apresentado por Joseph Luyten (1998). Para o autor, é possível identificar dois tipos de cultura popular: a espontânea e a de massa. A cultura popular espontânea se refere à cultura que se organiza em uma comunidade, como o próprio nome diz, de maneira espontânea. Ou seja, uma cultura popular espontânea se desenvolve a partir das trocas simbólicas e atribuições de significados realizadas através da convivência dessa comunidade, mas não de maneira hermética, pois podem sofrer influências externas, mas que são espontaneamente absorvidas, ou não, pela comunidade nas relações sígnicas do cotidiano, constituindo um imaginário coletivo que absorve todo processo de representações culturais.

Já a cultura popular de massa, trata-se de um fenómeno mais recente e que está intimamente relacionada ao advento dos meios de comunicação elétricos e dos meios de comunicação de massa, principalmente do século 20 em diante. Essa cultura não se desenvolve espontaneamente como a anterior, mas acaba sendo, concordando com Theodor Adorno e Max Horkheimer (2000), injetada artificialmente através de estratégias ligadas ao uso mercadológico dos meios de comunicação, especialmente os de massa. Para Adorno e Horkheimer (2000), esse processo acaba por criar uma cultura artificial, que se afasta das expressões culturais espontâneas e próprias de cada comunidade, produzindo a homogeneização dessa cultura em relação a outras. Ocorre, nesse processo, a industrialização da cultura, em que ela é vista mais como mercadoria do que representação das características da comunidade. Por isso, a Escola de Frankfurt denomina essa cultura introduzida artificialmente, baseada no gosto médio da massa, "cultura média", mas também, de maneira mais recorrente, "cultura de massa". Assim, um problema central dessa reflexão será verificar o quanto a cultura popular espontânea de diferentes etnias tem sido sequestrada, ou seja, substituída pela cultura popular de massa. A partir desse levantamento, será possível criar estratégias para resgatar a cultura popular espontânea, para fortalecer a diversidade cultural e tornar as trocas entre culturas menos etnocêntricas e mais equilibradas. Para isso, é preciso utilizar os estudos de interculturalidade como uma das fontes teóricas principais, para reconhecer o sequestro da cultura popular espontânea e buscar seu resgate. Acredita-se que esse resgate se fará possível, por meio, primeiramente, do resgate das narrativas culturais espontâneas que vêm sendo lançadas à margem e ao ostracismo pela introdução mercadológica da cultura popular de massa, principalmente pelo uso dos meios de comunicação, antes pelos de massa e, agora, pelos meios de comunicação digitais.

Torna-se, então, fundamental conhecer a cultura brasileira, a cultura latino-americana e mesmos as outras culturas sequestradas de todos os países do mundo pelo desenvolvimento homogeneizante da cultura de massa e hoje pela cultura digital que vem surgindo. É preciso, antes de poder desenvolver uma interculturalidade eficiente, resgatar a cultura popular espontânea, pelas suas narrativas, pois, senão, apenas fundiremos uma mesma cultura massificada, sem a devida atenção à diversidade cultural que compõem o mundo tardo-moderno.

Considerações finais

A partir deste debate, confirma-se que se vive uma crise das narrativas, devido ao advento dos meios elétricos, sejam eles de comunicação de massa, sejam eles digitais. O advento desses meios trouxe a valorização da informação em detrimento do espaço das narrativas, em virtude dos processos de aceleração e compressão que esses novos meios imprimem nas relações humanas. Os novos meios de comunicação, herdeiros do uso da eletricidade, estão, ao invés de reunindo culturas, produzindo fragmentações e, de maneira contraditória, criando uma cultura globalizada massificada, sem valorizar a diversidade cultural de diferentes etnias.

Nesse sentido, acredita-se que uma maneira para reverter essa crise das narrativas seria através de estratégias de comunicação intercultural, que resgatariam as culturas populares espontâneas, para o desenvolvimento de uma sociedade que valorize a diversidade cultural ao contrário de discursos xenofóbicos, tão comuns na sociedade tardo-moderna e que são difundidos com tanta eficiência pelos meios de comunicação, principalmente os digitais, através da internet, e reforçados pelas redes sociais.

Para resgatar as narrativas, sobretudo as das culturas populares espontâneas, será preciso fazer um levantamento mais abrangente possível da percepção das diferentes populações espalhadas pelo mundo, para descobrir o quanto resta em sua memória de sua cultura de origem, e o quanto os processos de aculturação já apagaram, seja pelo movimento das migrações, seja pelo uso dos meios de comunicação.

Depois desse levantamento, seria preciso um processo de resgate dessas culturas, além da apresentação e revalorização delas para as mais diferentes etnias que se espalham, ao mesmo tempo que se misturam pelo mundo. Sem a valorização das identidades das culturas populares espontâneas, jamais será possível a globalização equilibrada nem a formação de uma aldeia global, como preconizava McLuhan (2016). Sem esse resgate das culturas populares espontâneas, sequer seria possível o desenvolvimento de uma interculturalidade que respeite a diversidade de culturas e que compõem o ambiente social do ser humano. Sem o resgate das culturas populares espontâneas, a sociedade, cada vez mais, apenas estará misturando culturas massificadas, fabricadas e distribuídas artificialmente pelo uso dos meios de comunicação, sem jamais se aproximar da possibilidade de respeito à diversidade cultural, reforçando, assim, o que já se observa atualmente: o crescimento de discursos xenofóbicos, do preconceito e da violência contra diferentes etnias.

Contudo, esse trabalho é árduo, pois esse movimento se apresenta de maneira extremamente paradoxal e precisa de mais investigação; afinal, como pode estar ocorrendo uma fragmentação social, uma desglobaliza-ção, ao mesmo tempo que as culturas massificadas e globalizadas se tornam cada vez mais similares? A partir deste primeiro artigo, pretende-se discutir esses dilemas, em que se vislumbra a necessidade do resgate das culturas populares espontâneas para o desenvolvimento de uma cultura mais equilibrada e que respeita a diversidade.



Referéncias

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